Solução para gravar um disco: financiamento criativo

Solução para gravar um disco: financiamento criativo

Ter boas ideias, algo extremamente relevante dentro do Ecossistema Musical, se tornou uma característica que define o profissional que vai ter sucesso no mercado. A questão é que nem toda ideia boa funciona para todo mundo, mas a criatividade é livre para quem quiser exercitar. Se você é gente que vive de música ou gente que quer viver de música, conheça a história de Isabella Bretz, criadora do Operação Escambo e se inspire à vontade.

Foto: Camilla Alves

Quando o conceito de Crownfuding começou a se difundir na internet, a grande sacada era poder fazer uma vaquinha com gente envolvida e interessada em financiar um projeto. Na música essa ideia revolucionou, em um momento de mudanças drásticas na Indústria Fonográfica, a possibilidade de financiamento coletivo alavancou variados projetos musicais, como gravação de discos, turnês, etc. Hoje, a maioria dos artistas já lançou uma campanha de financiamento ou pretende lançar.

Quando todo mundo recorre a um modelo de negócio, há um grande risco em se criar mais do mesmo, banalizar e perder a força. Mas, a boa notícia é que SIM podemos ser criativos sempre e fazer diferente, como nos mostra a artista Isabella Bretz, que criou o projeto “Operação Escambo” que eu mesma batizei de Financiamento Criativo.

Solução criativa

Bretz queria gravar seu disco e percebia que o financiamento coletivo tradicional não era uma opção no momento. Ela conta que “precisaria de muito dinheiro e que havia muitos artistas fazendo financiamento coletivo ao mesmo tempo na cidade e que, mesmo com estilos diferentes, parte do público era o mesmo.” 

Para amenizar os custos do disco, a solução (super) criativa surgiu quando ela resolveu oferecer alguns serviços em troca da gravação de cada músico. Na lista havia oferta de traduções, aulas de inglês, participações como cantora e até bolo de cenoura, entre outras opções bem interessantes. Animada, a artista nos conta que “alguns músicos responderam querendo uma coisa ou outra e pensei: FUNCIONOU! Fiquei feliz e pronto. Dias depois, antes de dormir, continuei colocando a maquininha pra funcionar, na busca de uma solução mais abrangente para o meu problema. De repente pensei que se aceitaram meus poucos serviços, poderia dar mais certo ainda se a oferta fosse bem maior! Em um segundo já tinha o plano montado: eu coletaria doação de serviços para serem usados como cachê dos músicos e demais profissionais envolvidos. Como as pessoas ganham dinheiro para usar em coisas (serviços, produtos, etc), eu encurtaria uma etapa e já as pagaria em coisas. É mais difícil arrecadar dinheiro, principalmente no momento em que o Brasil está. Já o serviço depende apenas da boa vontade, habilidade e tempo. A pessoa se sente útil, colabora e nem precisa encostar no bolso.”

Pensando no futuro

No financiamento coletivo tradicional as pessoas doam um valor e recebem recompensas, já no “Operação Escambo” os serviços são doados, gerando um ciclo de trocas que favorecem o Ecossistema como um todo. A recompensa é a música! “Há muitas possibilidades de geração de vínculos de trabalho depois do uso do serviço doado por quem trabalhou no meu disco. Por exemplo, se um fotógrafo doou um ensaio, o músico utilizou (ou outra pessoa envolvida) e tudo fluiu bem, poderão trabalhar juntos novamente no futuro.”

Que iniciativa genial, não é? A artista grava o disco, os envolvidos recebem serviços interessantes e todos se conectam, com possibilidades para mais histórias serem criadas no futuro.

Quer fazer parte da Operação Escambo? Clique aqui!

Você sabia que saber contar histórias é uma potente ferramenta de comunicação? Entenda porque a sua história interessa.

Sobre o Autor

Nathy Faria

"Nathy Faria é emprendedora à frente da La Otra (Agência de soluções criativas no ecossistema musical), cantora e compositora, com formação em jornalismo (UNI-BH, Brasil), música (Universidad de Évora - Portugal), mestrado em Economia Criativa y Gestão Cultural (Universidad Rey Juan Carlos - Espanha). Ao longo de 15 anos na música e sua experiência internacional, a artista participa de feiras internacionais como FIM (Guadalajara, MX), Midem (Cannes, FR), Porto Musical (Brasil), entre outras. Atualmente, mora em Madrid onde desenvolveu uma metodologia exclusiva de coaching para empreendimentos criativos e musiciais e acaba de ganhar um prêmio de inovação pela "Factoria Cultural" com a plataforma da La Otra.

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